A educação na era de alunos hiperconectados

Por Juliane Oliveira

Como ensinar num mundo onde tudo é mágico e toda informação está a um toque no celular? Essa reflexão que permeia o ambiente escolar foi o tema central do psicanalista Paulo Sternick na palestra “Que mundo é esse? Como educar num tempo de indivíduos hiperconectados?”,  no 2º dia do Congresso Rio de Educação 2015, em 8 de agosto

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Paulo Sternick apontou a diferença entre instruir e educar num mundo de hiperconectados – Foto: Bruno Fabregas.

O psicanalista falou sobre a intensa quantidade de estímulos que recebemos e sobre o quão prejudicial isso pode ser em excesso. “No mundo de hoje recebemos muitos estímulos. Apesar deles produzirem conhecimento, também são fonte de distração para ficarmos sem foco e perdermos a memória. Isso se deve ao acúmulo enorme de textos, dados e fontes de conhecimento”, explicou.

A dificuldade de ganhar a atenção dessa geração na escola é apontada por Sternick como um problema trazido pelas diversas fontes de conhecimento e informação que descentralizaram a figura do professor. “Quando eu era aluno, tínhamos o professor como a pessoa que ia trazer o conhecimento. Construíamos nossa carreira e guiávamos nosso futuro pelo caminho que as escolas nos ajudavam a trilhar. Hoje isso mudou, porque não há mais a centralidade do processo educacional no professor”.

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O uso de recursos tecnológicos na sala de aula também foi tema do debate – Foto: Bruno Fabregas

Para o psicanalista, apesar das diversas fontes de informação, o professor continua com o seu papel fundamental intacto, porque educar e instruir são coisas diferentes. “Hoje os seres humanos estão rivalizando o tempo todo com os aparelhos tecnológicos. A instrução pode vir de outros meios, mas o educar é o trunfo do professor e da escola. Isso nunca poderá ser substituído por aparelhos eletrônicos. É dever do professor, inclusive, educar sobre os limites dessa tecnologia”, destacou.

Não é só o conteúdo disponível que atrai as crianças e adolescentes. De acordo com o psicanalista, estudos mostram que os estímulos elétricos das telas (computador, tablet, celular, etc.) são parecidos com os estímulos de drogas como, por exemplo, a Heroína. Com isso, as pessoas passam a acessar as diversas telas com frequência, além de tentar preencher com elas a falta que todo ser humano carrega em si.

A discussão em torno da tecnologia na sala de aula é algo que deve ser pensado com cautela, segundo Sternick. “A sala de aula pode ser a hora da educação, do olho no olho, da interação, para ser diferente do que se faz fora dela. Por outro lado, também devemos pensar se hoje podemos ignorar a existência desses aparelhos tecnológicos ou se é melhor usá-los como mecanismos em aula. Essa reflexão requer muito cuidado”, disse.

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