O dilema ético na vida cotidiana e nas relações de trabalho

Por Cláudio Ferme

A palestra “A ética do fazer pedagógico”, apresentada pelo pedagogo e escritor Hamilton Werneck, no 2º dia do Congresso Rio de Educação 2015, em 8 de agosto, ofereceu ao público a oportunidade de refletir acerca de situações cotidianas, sobretudo no âmbito das relações de trabalho, em que surgem conflitos éticos que demandam soluções equilibradas e justas. Numa época marcada por ampla inversão de valores por falta de princípios éticos, os educadores deveriam enfatizar que é preciso ensinar com a tecnologia, mas educar com a sensibilidade.

Com abordagem bem-humorada e repleta de exemplos instigantes, a explanação discutiu as diferenças entre as noções de ética e moral, e demonstrou como nossas vidas estão permeadas de situações em que nos deparamos com esses dilemas. “Mais do que uma questão semântica e de origem etimológica, trata-se da compreensão das fronteiras entre valores (ética) e regras (moral), e de que forma esses conceitos impregnam o senso comum da sociedade”, explicou o pedagogo.

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Hamilton Werneck abordou situações cotidianas das relações de trabalho em que surgem conflitos éticos – Foto: Bruno Fabregas

As atividades profissionais de gestores em educação e de professores são confrontadas diariamente com circunstâncias que desafiam suas consciências e geram conflitos de valores. Essa condição, ilustrada com o dilema de São Paulo (“Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”), expressa a frequente dúvida que aflige o ser humano em situações-limite, quando o agir ético impõe decisões nem sempre coerentes com as vontades individuais – conforme o trilema “quero, mas não posso; posso, mas não devo; devo, mas não quero”.

Do ponto de vista cultural e etimológico, as diferenças entre os termos ética e moral remontam às suas origens históricas. O vocábulo ética provém do termo grego éthos, que significava “modo de ser, valores que orientam os relacionamentos humanos, garantindo o bem-estar social.” Já o vocábulo moral origina-se do termo latino mores, cujo sentido era “conjunto de regras que regulam o comportamento humano (educação, tradição, cotidiano), e tem caráter obrigatório”. A ética é teórica; a moral, prática.

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Abordagem bem-humorada e com exemplos instigantes sobre as diferenças entre ética e moral marcaram a palestra – Foto: Bruno Fabregas

Quanto à aplicação de princípios éticos no trabalho dos empreendedores e educadores, o professor Werneck demonstrou uma série de exemplos e relatos que enfatizaram o drama interno dos responsáveis por decisões que lidam com os destinos de seres humanos (demissões, punições, sanções, etc). Essas podem ser perfeitamente racionais, mas eticamente passíveis de visões subjetivas (do ponto de vista do empregador ou da ótica do empregado).

“A falta de ética gera uma série de inversões de valores no mundo de hoje. Há todo tipo de oferecimento de soluções para os problemas da condição humana”, destacou Werneck. No campo educacional, ele alertou para os riscos éticos de se adotar uma prática pedagógica que mantém os pobres em sua condição de penúria. O professor argumentou, ainda, que as teologias do século XXI – da autoajuda, da prosperidade e do empreendedorismo – prometem resolver todos os males, mas, na realidade, explicitam a enorme carência ética do mundo moderno.

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