Gestão compartilhada reforça trabalho coletivo no contexto escolar

Por Cláudio Ferme

A gestão compartilhada da educação se preocupa com a construção de um trabalho coletivo no contexto escolar que traduza a realidade de educadores e alunos, buscando despertar competências para uma sociedade humanizada. Eis a essência da explanação do professor Cláudio Castro Sanches na palestra “Gestão compartilhada e trabalho coletivo na Educação”, em que enfatizou a importância da interação entre gestores, educadores, professores, alunos e responsáveis com o objetivo de estabelecer uma pedagogia do bom senso e do respeito às diversidades. A palestra fez parte da programação do Congresso Rio de Educação 2015, no dia 8 de agosto.

Na visão do palestrante, existe um fosso que separa os professores e os alunos nas escolas brasileiras, motivado por profundas deficiências formativas do corpo docente. Tanto as lideranças educacionais como os professores precisam compreender que só se constrói a mudança desse quadro com a valorização de opiniões nem sempre convenientes, mas que provocam reflexões. “As lideranças devem formar novas lideranças, em vez de seguidores; os professores têm de aprender a ser encantadores de aprendizes”, argumenta Sanches.

IMG_3724

Cláudio enfatizou a importância da interação entre gestores, educadores, professores, alunos e responsáveis – Foto: Bruno Fabregas

O contexto da realidade vivida pela comunidade escolar define o que é qualidade da educação. A partir do princípio de interação contexto-educando-contexto, a gestão compartilhada constitui um instrumento valioso para superar as dificuldades do processo de aprendizagem por meio de atitudes de abertura às mudanças. Porém, é necessário que os educadores saibam discernir o viés coletivo da missão educacional.

“Na gestão compartilhada, o bem-estar coletivo está acima do individual. Trata-se de um trabalho que envolve pensares, decisões, planejamentos, fazeres, monitoramentos, etc., em busca de respostas para a qualidade desejada e o crescimento de todos os envolvidos nos processos educativos. O desgaste do atual modelo de gestão da escola, baseado no excesso de rigor insensível às vocações e às peculiaridades dos alunos, pede mudanças fundamentadas no caráter exemplar e no bom senso”, explica.

IMG_3733

Valores imprescindíveis à educação e ao trabalho coletivo, despertados com a gestão compartilhada, foram destacados na palestra – Foto: Bruno Fabregas

Um exemplo sintético dessa postura de ampla interação, segundo Cláudio, seria a conscientização dos educadores quanto ao prazer de estar e aprender com pessoas diferentes, vivenciando o ciclo aprendiz-educador-gestor-aprendiz. Isto representaria a recuperação do olhar generoso do professor e, em consequência, a reabilitação do processo de aprendizagem. No contexto da sala de aula, muitas vezes o docente utiliza vocabulário que não é entendido pelos estudantes, o que exige até mesmo uma compreensão de seu peculiar universo linguístico.

De acordo com o educador, a gestão compartilhada eficiente tem de ser exercida por lideranças sintonizadas com os “fazeres” compartilhados com a comunidade escolar. Antes de tudo, deve-se ter presente que liderança é algo diferente de chefia, pois inspira os demais integrantes do grupo pedagógico e suscita o surgimento de novos líderes comprometidos com a pedagogia do bom senso. Para exercer tal liderança, torna-se indispensável a adoção de medidas como a construção permanente de competências, o foco em resultados e, sobretudo, a capacidade de integrar. Além disso, é necessário estar sempre aberto às mudanças e demonstrar caráter exemplar.

Muitos valores imprescindíveis à educação e ao trabalho coletivo são despertados com o emprego da gestão compartilhada, como: afeto, foco nas tarefas, hábitos positivos, competências, habilidades, motivação, ideias, conhecimento, lideranças, etc. “O bom senso resultante da ação pedagógica de grupo advém do conhecimento originado da interação comunitária. Essa prática educacional reforça nos alunos a capacidade para refletir e a habilidade para fazer, elementos fundamentais para a construção de uma sociedade mais humanizada”, ressaltou.

Anúncios

A importância do Ensino Profissionalizante

Por Andréa Antunes

A palestra “O atelier das mãos”, do professor Roberto Boclin, foi uma aula sobre o Ensino Profissionalizante e o Ensino Médio. Ao defender os cursos técnicos, Boclin lembrou que o Brasil sofre com um alto índice de evasão no Ensino Médio e que é necessário mudar essa realidade.

“Hoje temos uma grande parcela de jovens que não trabalha e não estuda. Isso acontece porque a escola não atende aos seus interesses. O Ensino Médio não atrai o aluno”, disse o Professor, lembrando que o aumento na carga horária não é a solução. “Esse aumento pode fazer com que o jovem fique com mais tédio na escola”, ressaltou Boclin, que defende a valorização do Ensino Profissionalizante para despertar o gosto dos jovens pela Educação.

IMG_3789

A importância do Ensino Profissionalizante explicada por meio da História da Educação foi destaque na palestra – Foto: Bruno Fabregas

“O jovem quer ver na escola uma utilidade e a Educação Profissional tem isso. Ela abre possibilidades”, disse. Roberto trabalha na elaboração de um projeto de lei com o objetivo de garantir mais autonomia para o segmento. O projeto prevê um currículo próprio para a educação profissional, que passaria a ser equivalente ao Ensino Médio e não ficaria dependente desse segmento.

Para mostrar a importância do Ensino Profissionalizante, o professor recorreu à História da Educação. Lembrou as mudanças provocadas no setor pela Revolução Industrial e pela Revolução Francesa, as influências geradas pelo Positivismo de Comte e pelo Materialismo Dialético de Marx.

Ao chegar ao Brasil, Boclin destacou a Reforma Nilo Peçanha, de 1910, que determinou que a Educação Profissional fosse destinada aos pobres, humildes e desvalidos – gerando um preconceito que existe até hoje em relação ao setor – e a Reforma Capanema, que valorizou o Ensino Profissionalizante.

Tapetes que dão vida aos livros infantis

Por Nathalia Curvelo

Já imaginou unir arte, performance, literatura e pedagogia a partir de um tapete? Esse é o trabalho desenvolvido por Daniela Fossaluza, idealizadora do projeto de fomento à leitura “Costurando Histórias”. A atriz contou o surgimento e os conceitos da iniciativa na palestra “A Arte de Contar Histórias com Tapetes”, no 2º dia do Congresso Rio de Educação 2015, no dia 8 de agosto.

IMG_3808

“Costurando Histórias” mistura arte, performance, literatura e pedagogia – Foto: Bruno Fabregas

Formado por um coletivo de artistas, o Costurando Histórias surgiu há 14 anos, quando Daniela teve contato com o projeto francês Raconte Tapis, que utiliza tapetes tridimensionais para, de forma lúdica, contar histórias de livros infantis. Mas, diferentemente do que acontece na França, onde a prática da metodologia se concentra nas bibliotecas, no Brasil a ideia percorre espaços culturais, hospitais e as ruas da cidade. “O Contando Histórias ficou muito plural. Nós estávamos carentes de uma transmissão humana de conteúdo”, explicou Daniela.

De acordo com ela, o projeto permite às crianças o desenvolvimento de habilidades importantes, como a capacidade de contemplação, a interação motora, a criatividade e ampliação dos sentidos. “A criança percebe que pode ser atuante, que vale a pena ser ouvinte e que é permitido mudar o rumo de uma narrativa. O mundo da leitura pode nos despertar para a diversidade do mundo”.

IMG_3811

Público também se aventurou nas histórias com tapetes lúdicos – Foto: Bruno Fabregas

Daniela ressaltou ainda as indagações que devem ser feitas ao elaborar a forma de contar histórias, de maneira que elas possam despertar a atenção das crianças. “Um bom contador tem que escutar e entender os anseios da criança. Quando a gente conta histórias a gente dá espaço para que o outro sintetize, imagine coisas e encontre significados diferentes dos nossos. Isso é deixar que o outro seja capaz de construir um sentido. O bom contador constrói significado junto com seus ouvintes”, resumiu.

A atriz explicou que, mesmo sem ter domínio de como costurar objetos de pano, é possível criar tapetes de histórias. “Na época que me aventurei por esse caminho da costura, meus primeiros ficaram uma aberração. Mas as crianças adoravam! Tudo virava uma brincadeira. O não saber não é impeditivo”. Ao final da palestra, Daniela leu um livro para o público presente, que também se aventurou pelos tapetes lúdicos.

Neurocientista defende currículos adaptados ao desenvolvimento humano

Por Cláudio Ferme

Numa era dominada por inovações tecnológicas permanentes, a escola e a atividade pedagógica ainda são os pilares da promoção do desenvolvimento cognitivo das crianças. Essa é a visão da professora Elvira Souza Lima expressa na palestra “Neurociência aplicada à docência e à aprendizagem”, em que enfatizou a indissociável complementaridade entre sistema educacional e ciência para o aperfeiçoamento do conhecimento humano, no dia 7 de agosto, no Congresso Rio de Educação 2015.

De acordo com Elvira, a neurociência constitui uma fundamental aliada dos educadores em sua tarefa de reproduzir os conhecimentos culturais. Com a relação de quantidades, a palestrante enfatizou que pedagogia proporciona as bases do conhecimento a ser assimilado pelo cérebro da criança, o qual formará sua capacidade seletiva e organizadora a partir de atividades como estudo de geometria, música, literatura, artes, pesquisas, etc. Para a educadora, a neurociência recupera o papel do professor na escola.

IMG_3612

“A escola e a atividade pedagógica ainda são os pilares da promoção do desenvolvimento cognitivo”, aponta a neurocientista – Foto: Bruno Fabregas

Quanto aos gestores educacionais, Elvira sustenta que deveriam adaptar os currículos escolares ao desenvolvimento humano. “Os diversos períodos de desenvolvimento cerebral, desde o mais fundamental até a maturidade, apresentam peculiaridades que precisam ser compreendidas e trabalhadas, como a adequação pedagógica entre razão e emoção”, explicou. Nesse sentido, a neurociência auxilia ao entendimento dos processos químicos do cérebro humano e permite a otimização do aprendizado e da atividade do professor.

A professora manifestou sua preocupação com o uso abusivo das ferramentas tecnológicas no processo educacional. Segundo ela, há uma crítica dependência das crianças em relação às telas (tablets, celulares, notebooks, televisão), o que faz com que cheguem à escola com padrões de atenção muito alterados. Daí a importância cognitiva de atividades como a escrita (mobiliza 21 áreas do cérebro) e da leitura (movimenta 17 áreas cerebrais).

Confira abaixo o vídeo que fizemos com Elvira Souza Lima no 10º Congresso Rio de Educação, com exclusividade para você:

Sinepe Rio premia vencedores do Concurso de Redação 2015

Por Juliane Oliveira

Muito conhecimento e debates sobre diferentes temas não resumiu o primeiro dia do 10º Congresso Rio de Educação, no dia 7 de agosto. No evento, o Sinepe Rio premiou os vencedores do Concurso de Redação 2015, promovido pelo sindicato para estimular a escrita e a criatividade dos alunos, com o tema “Rio de Janeiro 450 anos e depois…”.

Os 15 alunos vencedores receberam seus prêmios. O primeiro colocado de cada série recebeu um notebook, o segundo um tablet e o terceiro um smartphone. Alunos do 8º e 9º anos do ensino fundamental e das três séries do ensino médio participaram do concurso. Além disso, 35 alunos tiveram suas redações selecionadas para compor o livro que será editado pelo Sinepe Rio.

IMG_3487

Alunos premiados no Concurso de Redação 2015 promovido pelo Sinepe Rio – Foto: Bruno Fabregas

Confira abaixo os ganhadores do Concurso de Redação 2015:

– 8º ANO Ensino Fundamental

1º lugar Pedro Jatene de Figueiredo Corrêa Colégio Santo Inácio
2º lugar Luana Lima Mesquita Centro Educacional Rosa Chama
3º lugar Giovanna Freitas Lima Colégio Teresiano

– 9º ANO Ensino Fundamental

1º lugar Beatriz Conceição de Queiroz MOPI – Tijuca
2º lugar Bruno Dias Brasil MOPI – Tijuca
3º lugar Amanda Ribeiro da Cunha Educandário Syllabatim


– 1º ANO Ensino Médio

1º lugar Luiza Herculano Houzel Escola Modelar Cambaúba
2º lugar Carlos Alberto Amorim Cunha Escola Técnica Electra-Madureira
3º lugar Gabriela Valeriana Perdigão Ferreira Colégio Angelorum


– 2º ANO Ensino Médio

1º lugar Gabriel Abreu Werneck Abdelhay Colégio Santo Inácio
2º lugar Ana Carolinne Rodrigues Pereira Instituto Pio XI
3º lugar Patrick de Jesus de Souza Santa Mônica Centro Educacional – Madureira


– 3º ANO Ensino Médio

1º lugar Vinícius David Tavares Monte Colégio Cruzeiro – Centro
2º lugar Tiago Santos Martins de Macedo Colégio Bahiense – Jacarepaguá
3º lugar Iolanda Lima Oliveira Y Oliveira Colégio Maria Raythe

Empreendedor de sucesso precisa ser gestor de si mesmo

Por Cláudio Ferme

O educador e escritor Maurício Góis formulou uma série de provocações sobre os lugares-comuns da gestão educacional para a reflexão do público que assistiu à palestra “Educadores de desempenho máximo: o desafio”, durante o segundo dia do 10º Congresso Rio de Educação. Ele procurou demonstrar aos administradores escolares que o pensamento competente e competitivo seria a postura necessária no sentido de recuperar e recriar a nova escola.

Na avaliação de Góis, a mentalidade inovadora nas escolas deve começar pela maior valorização do papel do educador (problematizador, portador de sabedoria e formador para a vida) do que o de professor (que prepara para o mercado e segue um programa). “Cabe aos gestores competentes incorporar a comunidade educacional a essa visão, com o objetivo de destacar sua marca e reforçar a reputação num mercado tão segmentado”, ressaltou Góis.

IMG_3533

O desafio de educar com desempenho máximo foi a discussão central da palestra – Foto: Bruno Fabregas

Segundo o escritor, o empreendedor de sucesso procura ser gestor de si mesmo e de sua carreira, guiando-se por princípios fundamentais, tais como empenho, desempenho, liderança, qualidade, vantagem competitiva, estética, criatividade e espiritualidade. “Outra preocupação essencial é melhorar a maneira como as pessoas percebem a tarefa do gestor, o qual precisa demonstrar emoções (para desafiar-se), linguagem inteligente (para desafiar os outros) e humildade (para aceitar ser desafiado)”.

Maurício disse ainda que a gestão competente e competitiva antevê os desafios futuros, projetando as vantagens e os ganhos mais adiante. Ele destacou vários fatores de impacto que determinam ações bem-sucedidas do empreendedor: autoconcorrência (destruição criativa/descontentamento inovador); perseguir metas (curto alcance) e não objetivos (longo alcance); clima motivacional; diferenciação; objetividade; e inovação contínua.

As cidades resilientes e o papel da educação

Por Juliane Oliveira

As cidades estão cada vez maiores e mais complexas. Mesmo no cenário mais otimista para o aquecimento global, as cidades serão muito impactadas. Tomar decisões agora pode influenciar o futuro e o papel da educação nesse processo é fundamental. Debater esse tema foi o principal objetivo da palestra de Sérgio Besserman, presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e professor da PUC-RJ, na abertura do 10º Congresso Rio de Educação 2015.

IMG_3397

Palestra debateu o papel da educação na promoção de cidades resilientes – Foto: Bruno Fabregas

“Precisamos de cidades resilientes, ou seja, que saibam enfrentar os impactos das mudanças, principalmente climáticas. Se formos uma humanidade capaz de tomar decisões e assumir certos custos em função do que vai acontecer, seremos uma humanidade melhor e mais consciente e, consequentemente, teremos uma vida melhor”, destacou. As soluções tecnológicas para adaptar as mudanças climáticas das cidades existem, mas são inviáveis economicamente, o que torna necessário preparar as cidades para sofrer o menos possível, prevendo riscos e suportando os impactos.

Um alerta do professor foi sobre a educação ambiental que se faz nas escolas, da mesma forma que se fazia há anos, sem contextualizar com a realidade atual. “No século XX existia uma dicotomia entre meio ambiente e crescimento econômico. Hoje sabemos que o crescimento da população e da economia impacta diretamente o meio ambiente, mas continuamos ensinando da mesma forma. Educação ambiental não é mostrar cartilhas de melhores práticas e sim falar sobre cidades resilientes e como esse desafio tem impacto social, econômico e histórico”, explicou.

O planeta Terra tem três bilhões e 600 milhões de anos. Considerando esse tempo em um relógio de 24 horas, a civilização humana chegou ao mundo nos últimos segundos. Em todas as horas anteriores, o planeta passou por problemas muito maiores e se recuperou em todas essas etapas. Para Besserman, o problema está no tempo de recuperação, que para os seres humanos é um e para o planeta é outro.

IMG_3369

“Se formos uma humanidade capaz de tomar decisões e assumir custos, seremos uma humanidade melhor”, diz Sérgio Besserman – Foto: Bruno Fabregas

“A Terra é frágil no tempo curto, mas é extraordinariamente resiliente no tempo longo. A educação ambiental que se faz no mundo, inclusive no Brasil, de que somos deuses e estamos estragando o planeta, é a pior que pode existir. Precisamos mostrar que a natureza do nosso tempo está com problemas, porque usamos os recursos naturais sem considerar que ela precisa se reciclar para continuar a nos entregar serviços, como clima, solo, biodiversidade e água, que são indispensáveis. Quem tem um problema somos nós e não a natureza”, afirmou.

Se por um lado a mudança climática é extremamente grave, definir o limite do perigo pelo que não se vê, mas que sabe que vai acontecer, também é desafiador. Besserman enxerga o momento como uma oportunidade. “Isso é inédito. É a primeira vez na História da humanidade que precisamos tomar decisões importantes hoje para mudar a realidade dos próximos anos”.

Confira abaixo o vídeo que fizemos com Sérgio Besserman no 10º Congresso Rio de Educação, com exclusividade para você: