“A busca da excelência é a própria felicidade”, diz Clóvis de Barros

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Por Juliane Oliveira

Salão lotado. Mais de 600 educadores atentos ao que dizia o professor Clóvis de Barros Filho: “Se você chega para dar aula e não tem nenhuma expectativa de tirar de si mesmo algum tipo de excelência, é evidente que será um tédio insuportável. Mas é por conhecer melhor do que ninguém suas competências que você precisa buscar a excelência em tudo que fizer, porque a busca da excelência é a própria felicidade”.

A mensagem sobre a busca da felicidade e sua relação com o trabalho fechou o 11º Congresso Rio de Educação. Passeando pela Filosofia, por nomes como Epicteto, Platão e Aristóteles, Clóvis falou sobre a importância de usar a vida para buscar a excelência, o pleno desabrochar da natureza de cada indivíduo.

Fazendo um paralelo com o pensamento de Epicteto, sábio romano, escravo e analfabeto que afirmava que metade da vida depende da sua iniciativa e a outra metade não, o professor destacou que há dois tipos de pessoas no mundo: as empreendedoras, que embora acreditem que muitas coisas acontecem ao acaso, gastam suas energias buscando o sucesso da vida que desejaram; e o segundo tipo, constituído pela maior parte da sociedade, de pessoas que passam a vida lamentando a falta de sorte e, acovardadas, não vão atrás de implementar nada.

“Faço par com Epicteto. Se tem um pedaço da vida que eu sei que vai dar certo é quando estou dando aula ou uma palestra. Aqui eu controlo as variáveis. Muitas outras coisas eu sei que não darão certo, por isso preciso buscar o melhor que consigo fazer nesse momento”, explicou.

Um dos destinos da educação, de acordo com o professor, deveria ser preparar os alunos para a responsabilidade de assumirem as rédeas da vida, mesmo sabendo que não é garantia de uma vida completamente feliz: “Precisamos preparar os alunos para entenderem que não existe nada que garanta a felicidade o tempo inteiro, e que é normal ter medo e se arrepender do rumo que escolheu. Precisamos deixar claro que as vantagens do mundo do consumo não são garantidoras de felicidade e, que se 50% da vida depende de nós, precisamos buscar a excelência em todo tempo”.

Onde está o valor do trabalho? Foi outro ponto alertado pelo palestrante. Segundo Clóvis, se cada educador conseguisse avaliar o resultado de suas iniciativas nunca mais chamariam de “happy hour” (do inglês hora feliz) o momento que o trabalho acaba. Os quatro principais motes para entender a importância da educação, de acordo com ele, devem ser: excelência, amor, alegria e respeito.

“O valor do nosso trabalho, obviamente, não está naquilo que recebemos financeiramente. Se escolhemos a vida de professor é porque o amor ao aluno é o que nos importa. É durante o trabalho que a natureza de cada um de nós pode permitir a construção de um mundo menos injusto, de um cidadão menos despreparado, de uma sociedade mais honesta”, ressaltou o professor.

Confira a mensagem do professor Clóvis de Barros Filho durante o 11º Congresso Rio de Educação:

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Cérebro, aprendizagem e educação: uma parceria real e necessária

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Por Juliane Oliveira

Já parou para pensar como o sistema educacional precisa ser reavaliado quanto ao funcionamento cerebral? Para responder essa indagação, a psicopedagoga Telma Pantano participou do 11º Congresso Rio de Educação, refletindo sobre o cérebro, a aprendizagem e a educação.

O sistema educacional como se conhece hoje foi pensado com base no cérebro de um adulto. Ao contrário do que se pensava há 40 anos, o cérebro não funciona por partes e, apesar de não mudar muito em relação à quantidade de neurônios, o funcionamento cerebral de uma criança e de um adulto são completamente diferentes.

“É importante entender para quem a gente prepara um sistema educacional, porque estamos falando de cérebros que funcionam de forma diferente. Mais do que isso: quem está ensinando não pode ser parâmetro para organizar a proposta de aprendizagem”, explicou Telma.

A psicopedagoga explicou que o cérebro é limitado na sua entrada, só sendo capaz de entender impulso elétrico, por isso, tudo o que o ser humano entende recebe pelos canais sensoriais. Esses canais sensoriais precisam ser observados atentamente nas crianças: “Por exemplo, é comum uma criança sentir dor em dia de prova. Já parou para pensar por que o nervoso vem através de uma dor? Quanto menor ela é mais dor física ela sente. E não se trata de invenção. Enquanto a criança não consegue entender que está sentindo nervoso ou ansiedade, enquanto ela tem dificuldade de especificar suas emoções, tudo que ela sente é físico”.

O cérebro humano é formado não só pela organização cerebral, mas também é influenciado pelo ambiente. “Cada vez mais crianças que estão sofrendo psiquicamente começam a se cortar, porque ela não sabe nomear e nem reconhecer as emoções que está sentindo. Isso acontece porque o ambiente não está dando estímulos suficientes para formar emoções”, destacou Telma.

Já a memória humana possui quatro etapas: fixação, retenção, evocação e esquecimento. A única etapa que o professor tem algum controle é a fixação, e, por isso, precisa pensar nesse funcionamento do cérebro na hora de ensinar. “Cabe ao professor, ao passar um conteúdo, ajudar o aluno a se planejar, a ter estratégias de fixação, capacitando-o a  uma retenção eficaz”, disse.

Acesse aqui a apresentação da palestra “Cérebro, aprendizagem e educação: uma parceria real e necessária”.

Inovar: questão de sobrevivência

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Por Nathalia Curvelo

A grande diferença do passado para o presente é a variedade de opções. Gerações passadas eram limitadas pelo mundo físico. Hoje a tecnologia leva ao infinito. Como isso impacta o ensino e de que forma as escolas podem se preparar para esse novo paradigma foram questões abordadas pelo empresário Marcelo Freitas na palestra “Escolas inovadoras: transformando crise em oportunidade”, no 11º Congresso Rio de Educação.

Freitas afirmou que, no futuro, é possível que a escola tenha como concorrente  não aquelas outras que estão em seu bairro, ou mesmo a de outros países (que começaram a se tornar competidoras com cursos gratuitos online), mas as empresas de tecnologia e de entretenimento. Como exemplo, ele citou o Youtube, canal por meio do qual as pessoas podem assistir aulas gratuitas e com conteúdo conduzido por professores altamente qualificados.

“Antes, a escola era o único, ou pelo menos um dos únicos lugares onde se adquiria conhecimento. Hoje não mais. As pessoas têm uma gama enorme de opções para aprender. Enquanto isso a escola continuou reproduzindo muito daquilo que estava no passado, trabalhando dentro da ideia de padrões”, alertou.

O empresário destacou algumas dicas para ajudar as escolas a fazer a transição para as novas demandas dos clientes, e transformar o que pode ser uma crise em oportunidade:

1ª – ENTENDA o que de fato está mudando no ambiente externo, mesmo nas escolas mais tradicionais. Os modelos de negócio são outros. Os millennials estão no comando, assumindo postos e têm valores distintos dos convencionais.

2ª – ENGAJE todos os colaboradores no processo.

3ª – REPENSE o modelo de negócios.  É uma questão-chave. Escolas podem oferecer outros tipos de serviços, formas de pagamento, logística de entrega, etc.

4ª – REVEJA sua estrutura organizacional e pense em Unidades de Negócios, como laboratórios e áreas esportivas. Cada uma delas pode gerar receita por si só. Podem ser feitas parcerias, abrir esses espaços para comunidade nos finais de semana. Há muitas formas de gerar rentabilidade.

5ª – AGREGUE. Aumente sua oferta de valor com a formação de parcerias. Não é necessário que a escola domine uma determinada tecnologia, mas ela pode trabalhar em conjunto com quem a domine.

Acesse aqui a apresentação completa da palestra “Escolas inovadoras: transformando crise em oportunidade”.

Confira a mensagem do professor Marcelo Freitas no 11º Congresso Rio de Educação:

Saber falar é peça-chave para o entendimento em sala de aula

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Por Luisa Gabriela Oliveira

Com o advento da tecnologia e o consumo de informação cada vez mais exacerbado através das gerações, manter o foco em sala de aula se tornou algo cada vez mais difícil. Não somente pela demanda da inovação, mas também como a mensagem será transmitida aos alunos. O debate foi tema da palestra “Relação professor-aluno: a influência da comunicação eficaz em sala de aula”, ministrada pelo coach em comunicação Guilherme Miziara, no 11º Congresso Rio de Educação.

“É cada vez mais comum eu conversar com pessoas a respeito da comunicação em sala de aula porque muita gente não sabe repassar o conhecimento”, destaca. O especialista aponta que é fundamental para os professores saberem o objetivo da aula, e este se estabelece em dois grandes pontos: o extrínseco (para fora) e o intrínseco (para dentro), sendo este último o que realmente quer ser passado aos alunos, onde muitas vezes está a negociação. “Hoje os estudantes querem saber o que vão ganhar em troca. Independentemente da faixa etária, o aluno quer saber o que ele ganha”, ressalta.

Para facilitar a troca entre professor e aluno, Miziara exemplifica as técnicas comunicativas que melhoram esta relação dentro de sala de aula, e que se baseiam em dois eixos: o conteúdo e a forma, sendo um interligado ao outro, não excluindo nenhum. “Há muitos professores que dizem possuir bastante conteúdo e que por isso não se preocupam em como a informação será passada, o que é um erro. Nem sempre excesso de conteúdo quer dizer aprendizagem”, disse.

A amplitude de informações também é destaque no pensamento do especialista, que acredita num maior direcionamento da mensagem se ela tiver um leque de referências: “Quanto mais informações, mais direcionado meu discurso e mais pessoas se identificam com ele. Mas é preciso tomar cuidado com dados e informações. Dados são amplos e é deles que você extrai as informações para ter uma mensagem ainda mais específica”.

O professor ainda destacou a busca pelo equilíbrio e pela inovação para que os alunos se mantenham atentos e que a troca se torne inesquecível para eles. “É importante que se invista nas experiências porque vivendo aquilo de forma diferente faz com que as pessoas memorizem o que foi passado”, disse.

Acesse aqui a apresentação completa da palestra “Relação professor-aluno: a influência da comunicação eficaz em sala de aula”.

Confira a mensagem do coach Guilherme Miziara no 11º Congresso Rio de Educação:

Novos alunos e a forma antiga de ensinar

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Por Juliane Oliveira

“O mundo mudou. O aluno mudou. Por que a escola ainda é a mesma?”. A indagação é da coach e educadora Cláudia Villela, durante o 11º Congresso Rio de Educação. Ela falou sobre o extenso cardápio disponível de novas metodologias, como aprendizagem colaborativa, ensino híbrido e tecnologia digital, mas criticou o posicionamento da maioria das escolas de não incluir essas metodologias no processo de aprendizagem.

“O cardápio disponível é amplo, mas não pode faltar nunca: ter o aluno no centro do processo e o professor extremamente ativo. A tecnologia veio para ficar. Precisamos ter o domínio básico para poder dialogar e compreender a mente dos nossos alunos. Estar distante da tecnologia hoje é estar distante da maneira de pensar do aluno”, ressaltou Cláudia.

A coach destacou seis novidades promissoras da educação que permitem um olhar diferenciado para o aluno:

– Sala de aula invertida: antes da aula o professor grava um vídeo do conteúdo e dispara nas redes sociais. Os alunos assistem, elaboram perguntas e interagem previamente com o conteúdo para depois aprender sobre o tema na sala de aula. O tempo é otimizado e há a personalização do ensino, alterando a dinâmica tradicional da aula.

– Cultura maker: é a cultura “mão na massa”, aprender fazendo, que proporciona criatividade, autonomia e incentiva o trabalho em grupo.

– Aprendizagem móvel: o uso de dispositivos móveis (celular) não deve ser visto como uma ameaça, mas como uma parceria para fortalecer o trabalho em sala de aula. O uso da tecnologia não dispensa o papel do bom professor, do bom educador.

– Aprendizagem baseada em problemas: discutir conteúdos partindo de um problema, pesquisa e dados. Após o levantamento de hipóteses foca em habilidades de raciocínio. Os problemas apresentados precisam ter significado para o aluno.

– Design Thinking: é uma ferramenta, e não uma metodologia, para organizar o pensamento e a construção coletiva de soluções.

– Gamificação: utilizar a estrutura dos games para aprendizagem. Tem um alto grau de inovação, gera diversão, estímulo e engajamento.

A importância de inovar no ambiente escolar, encontrando soluções para melhorar a experiência de aprendizagem dos alunos, foi destacada por ela como essencial: “Criatividade sem resultado é modismo, e resultado sem criatividade não dura muito. Se cada pessoa tem um modelo mental que reage de forma diferente ao mesmo estímulo por que a escola persiste no modelo padronizado de fazer tudo igual para todo mundo? Precisamos nos questionar como estamos agindo e o que estamos fazendo para mudar a realidade da escola que fazemos parte. A chave está na renovação diária do próprio professor”.

Acesse aqui a apresentação completa da palestra “Novos ares: novidades promissoras para o êxito da educação”.

Confira a mensagem da educadora Cláudia Villela no 11º Congresso Rio de Educação:

A leitura como atividade diária

69Por Andréa Antunes

A importância da leitura literária para crianças foi apresentada pela doutora em Educação e consultora Nazareth Salutto na palestra “Diálogos sobre a Leitura Literária e Leitura Infantil”. Pesquisadora do tema, Nazareth Salutto apresentou o resultado de alguns trabalhos, destacou a importância da leitura diária para a formação de jovens leitores e pontuou aspectos relevantes na elaboração de projetos de leitura.

“Muitas vezes a escola quando faz um trabalho de literatura seleciona o acervo a partir do critério da idade, o que pode ser um erro já que não necessariamente está relacionado ao interesse do leitor. É importante a escola repensar um pouco quem é esse leitor. O interesse da criança é diverso”, lembrou.

Pensar um projeto de leitura dentro da escola exige atenção para alguns aspectos.  É preciso garantir às crianças tempo para uma leitura livre, sem obrigações, permitir que se apropriem do objeto e estabeleçam interações. Mas também é necessário leituras com mediação em alguns momentos. “Muitas vezes na escola o livro é prescrito para alguma atividade.  A criança tem a obrigação de ler para fazer alguma coisa, responder perguntas, fazer prova. Isso é importante mas não pode ser apenas isso. É preciso garantir o equilibro. Ter espaços de provocações, de questionamentos e também de liberdade para uma simples leitura”, recomenda Nazareth Salutto.

Para a especialista, a leitura deve ser uma atividade diária nas escolas. “Ela não pode ocorrer uma vez por semana. Não podemos pensar um projeto de leitura onde o contato com o livro seja eventual. A leitura deve ser diária. Todos os dias as crianças devem passar pela biblioteca ou pela sala de leitura, ter um momento dedicado ao livro.”

E neste processo de formação de leitores, a especialista lembrou que o professor não pode ser apenas aquele que indica obras para leitura. “Ele tem que ser leitor. Muitas vezes a experiência da leitura literária não aparece na nossa vida pois ficamos presos a textos técnicos, teses e estudos, mas precisamos alimentar o nosso repertório. Não podemos virar burocratas. Nosso ofício envolve duas coisas fundamentais: estudar e ler”, concluiu.

Acesse aqui a apresentação completa da palestra “Diálogos sobre a Leitura Literária e Leitura Infantil”.

Confira a mensagem da professora Nazareth Salutto no 11º Congresso Rio de Educação:

Estratégias para a competitividade das escolas

71Por Nathalia Curvelo

Para sobreviver em meio à concorrência, as escolas precisam se modernizar e desenvolver visão de mercado, defendeu Elimar Melo, professor da FGV e da Fundação Dom Cabral, na palestra “Questão de sobrevivência: estratégia e marketing nas escolas”, no 11º Congresso Rio de Educação.

O professor iniciou o debate definindo o que seria a escola moderna: aquela adequada ao seu tempo, à realidade das gerações que atende e às tecnologias atuais. “Moderna é a escola que tem qualidade de ensino, bons professores, recursos tecnológicos, estrutura física adequada e preço justo. É isso que o cliente espera”, afirmou.

Segundo ele, ser competitivo se tornou uma questão essencial para os estabelecimentos de ensino. E, para estar à frente, é preciso, em primeiro lugar, que tenham uma identidade e objetivos bem definidos. “É necessário questionar: onde quero chegar? E, por fim, traçar o caminho. Estratégia é o caminho”, disse.

Ele alertou que, uma vez que as estratégias já tenham sido elaboradas, ir ao mercado para conhecer as tendências, o que os concorrentes estão fazendo, e o que vem dando certo é primordial para garantir a competitividade da escola. “Quando vou para o mercado, tenho que mostrar o que e como faço diferente do meu concorrente. Em setembro tem início uma avalanche de propagandas de escolas: outdoors, folhetos, busdoors, e aí a sua se perde no meio dessa poluição. Se torna igual a dos demais”, explicou.

Melo defendeu o uso de ferramentas de marketing para uma estratégia mais eficaz, como os conhecidos 4 Ps: produto, preço, praça e promoção. “Negociação e comunicação são coisas que se aprendem. A estratégia e a perspectiva mercadológica servem para que eu as aplique. Se eu me preparo para a travessia, ela será muito mais leve”, defendeu.

Acesse aqui a apresentação completa da palestra “Questão de sobrevivência: estratégia e marketing nas escolas”.

Confira a mensagem do professor Elimar Melo no 11º Congresso Rio de Educação:

 

“O professor deve ser um especialista em gente”, afirma psicólogo

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Por Andréa Antunes

O psicólogo, professor e escritor Luiz Schettini apresentou na palestra “Pedagogia da Convivência” contribuições para além da sala da aula. Em sua análise, o especialista mostrou a importância do amor e do respeito para uma boa convivência, para o aprendizado e para a evolução do sujeito. “Uma das mais graves doenças atualmente é a perturbação da convivência. Parece que está difícil conviver com o outro. Precisamos pensar sobre isso”, alertou Schettini.

Para o especialista, essa dificuldade ocorre porque as pessoas perderam a noção de subjetividade. “Não sabemos mais quem nós somos. É preciso saber como sou no mundo; como estou no mundo com as pessoas”, ponderou, lembrando que a relação de convivência se constrói a partir da percepção individual do desenvolvimento de cada um. “É preciso entender em que etapa cada um está. Não adianta, por exemplo, ensinar algo para uma criança se ela ainda não tem maturidade para entender o que está sendo dito. Vou esperar uma resposta que ela, ainda, não tem condições de me dar e isso gera desconforto na convivência”, explicou.

Mas conviver bem não significa aprovar todas ações do outro e sim respeitar as opiniões divergentes: “É preciso resolver os problemas de forma imediata. Falar, decidir o impasse para que as coisas não se acumulem”.

Sobre a relação professor-aluno, o psicólogo afirmou que, além de dominar um determinado conteúdo, o professor deve ser um especialista em gente. “Ele deve estar ciente de que precisa respeitar o tempo do aluno; o tempo do outro. É preciso adequar o conteúdo às possibilidades que o aluno tem para aprender”, disse.

Ao finalizar a palestra, Schettini ressaltou a importância da construção de vínculos afetivos para o aprendizado e afirmou que o exemplo tem um grande valor neste processo. “Ensinamos muito mais o que somos do que o que sabemos. Por isso, nosso exemplo é fundamental neste processo”, concluiu.

Confira a mensagem do professor Luiz Schettini no 11º Congresso Rio de Educação:

 

A primeira infância como papel fundamental na inclusão social e familiar

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Por Luisa Gabriela Oliveira

O processo de inclusão ao longo da vida, bem como a inclusão de alunos nas escolas, é assunto que permeia as discussões pedagógicas ao longo dos anos. Ministrando a palestra “Considerações fundamentais sobre o processo de inclusão”, no 11º Congresso Rio de Educação, a psicanalista e psicóloga Cristina Hoyer fala sobre como a inclusão é um longo processo e a importância do mediador nesta trajetória.

“A inclusão não é um dado prévio da condição humana, é uma odisseia subjetiva particular entre os agentes primordiais (mãe/pai) e o sujeito-criança nos tempos da primeira infância”, disse.

A trajetória dos parentes, desde o desejo de se ter filhos até o crescimento de cada um deles, é um dos fatores determinantes na inclusão de cada ser naquele meio social e no campo familiar que, de acordo com a especialista, é a área da “cultura transgeracional, onde a cada geração vai transmitindo o simbólico. São as lendas e histórias, algo que aponta para a origem”.

Em seu pensamento, a psicanalista defende que a primeira infância é o momento fundamental na inclusão do ser neste meio: “É todo o alicerce de tudo o que vai se constituir o humano, é a época fundamental”, afirma.

Em relação aos filhos, a concepção deste novo ser no núcleo familiar é proveniente de um desejo particular dos agentes primários (pai e mãe) que idealizam a vontade de ter um filho e, consequentemente, colocam nele as expectativas de seu futuro. Por isso, mesmo que a família seja formada por mais de um filho, cada um é singular dentro da família.

“É comum encontrarmos irmãos perguntando a mãe de quem ela mais gosta. O fato é que todo filho é único e toda mãe é única para aquele filho. Cada um é um projeto particular daquela relação. Mesmo que se tenha dois, três, quatro filhos, cada um é único. Cada um deles é um projeto subjetivo e representam o desejo diferente de se ter uma criança”, destaca.

A especialista também ressalta a importância ainda na fase bebê do indivíduo que, mesmo sem ter consciência dos seus atos, se faz presente dentro do contexto familiar para ser incluído naquele meio, seja por um gesto ou resposta: “O processo de inclusão se dá fundamentalmente na primeira infância, principalmente pelas ações que os bebês reproduzem: atender pelo nome; o sorriso intencional; distancia-se da mãe sem perdê-la de vista; reage a rostos estranhos; estende os braços… O bebê passa a fazer parte daquele campo, nasce imerso, mas não é suficiente, já que o filho terá de fazer seu próprio movimento para ser incluído”, explica.

Abordagem Pikler: um olhar sensível para a Primeira Infância  

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Por Juliane Oliveira

Um método que busca dar à criança o vínculo e, ao mesmo tempo, a independência de que ela necessita para se desenvolver. Esse é o objetivo da Abordagem Pikler, criada pela médica húngara Emmi Pikler, que vem atraindo o interesse de pais e educadores. O tema foi debatido pela psicóloga Rita de Moraes no 11º Congresso Rio de Educação.

“O que faz diferença para o desenvolvimento da criança não é quantos cursos você tem, mas sim o afeto e o vínculo que você tem com ela. Nosso trabalho como profissionais não é distrair as crianças ou trabalhar como se fossem uma linha de produção. Nossa função é ajudar cada criança a se construir, respeitando o tempo de cada uma”, destacou Rita.

O método, que é pensado para crianças até 3 anos, se baseia em três pilares: motricidade/atividade livre e espontânea – que proporciona um ambiente lúdico que evoque a curiosidade e dá o tempo necessário para que a criança explore seu corpo e o entorno –; formação continuada da equipe e cuidados corporais de qualidade. Este último pilar, segundo Rita, entende que momentos de cuidados individualizados, como troca de fraldas, banho e alimentação, são fundamentais e precisam de total atenção.

“O corpo e a relação adulto/criança são os fios condutores da saúde do bebê. Bebê que é trocado, higienizado e cuidado, mas não tem afeto adoece, morre psiquicamente ou pode até falecer. Bebê não é um legume para fazermos tudo correndo como se não tivesse importância nenhuma”, criticou a psicóloga.

Rita destacou que existem diferentes formas de violência: físicas; psíquicas; adiantar posturas, ou seja, fazer o que a criança ainda não amadureceu para fazer; e ainda fazer pela criança o que ela já sabe fazer. De acordo com ela, a remuneração ainda está longe de ser a ideal, mas quando uma pessoa opta por trabalhar com crianças está optando por ajudá-las a se desenvolver, então precisa se relacionar bem com elas.

A aplicação da Abordagem Pikler no cotidiano deve ser organizada com uma figura de referência. Se uma turma tem 20 alunos e cinco profissionais, por exemplo, não pode destinar que todos os educadores cuidem de todas as crianças. Nesse caso, o correto seria direcionar um profissional para cada quatro crianças. Nos momentos de cuidados individualizados o adulto deve estar inteiramente disponível para a criança que está cuidando.

“Se não tivermos boas condições de trabalho não teremos como desempenhar um bom trabalho. Ninguém consegue se relacionar bem, ao mesmo tempo, com 20 crianças. É uma hipocrisia. O ideal é dividir entre a equipe para que cada um conheça melhor aquele bebê. Essa abordagem muda a concepção de trabalho para despertar um olhar individualizado para cada criança em nossas instituições”, explicou.

Confira a mensagem da psicóloga Rita de Moraes no 11º Congresso Rio de Educação: