“A internet pode ser veneno ou remédio”, diz especialista em tecnologia

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Por Cláudio Ferme

Os professores Evelyn Eisenstein, Tony dos Santos e Valdemar Setzer apresentaram na palestra “Utilização da internet e seus desdobramentos”, no 11º Congresso Rio de Educação, opiniões sobre os efeitos em crianças e adolescentes do cada vez mais disseminado uso da rede mundial.

No debate, os palestrantes advertiram pais e educadores acerca da crescente dependência psíquica e física de seus filhos e alunos aos dispositivos tecnológicos, recomendando uma atitude mais rigorosa na proteção social da criança e do adolescente em fase de desenvolvimento.

A intervenção da professora Evelyn Eisenstein, especialista em pediatria infantil e adolescente, demonstrou os riscos de distúrbios, disfunções e transtornos causados pelo acesso descontrolado da internet. “Crianças muito expostas às diversas telas (vídeo games, smartphones, monitores, etc) sofrem problemas neurológicos e motores, como hiperatividade, desatenção, transtorno do sono, de pendência e coordenação falha”, alertou.

Segundo a pediatra, jogos e brincadeiras que repetem ações violentas multiplicam o comportamento violento e a ansiedade de querer sempre mais. “Cabe aos pais conhecer e controlar o que seus filhos acessam na internet, e à escola compete construir a cultura da paz por meio da reação à violência”, aconselhou.

“A internet pode ser veneno ou remédio: a diferença é a dose”. Dessa forma Tony dos Santos, diretor da Nuvem Mestra, empresa parceira do Google Suite For Education no Brasil,  definiu o permanente dilema dos educadores entre atualização e conservação pedagógica diante das inovações proporcionadas pela tecnologia. “Vivemos a era do ‘capitalismo informacional’, em que 97% da informação do planeta estão digitalizados e 73% das relações sociais acontecem pela internet”, argumentou.

As diferenças de linguagens entre usuários da cultura digital (alunos) e da cultura analógica (escolas) despertam a rejeição às metodologias tradicionais. “Na Europa e nos EUA, 39% dos alunos não concluem o ensino médio, e muitos jovens alegam que as escolas não se ajustam às suas realidades”, explicou Tony dos Santos. Em contraponto, o educador apresentou vários exemplos de iniciativas pedagógicas ao redor do mundo com tecnologias associadas à melhoria das condições de aprendizagem.

A voz mais contundente sobre os danos da internet para os jovens foi a do professor Valdemar Setzer, do departamento de Ciência da Computação da USP. “A internet apresenta altíssimo risco de produzir dependência (vícios); trata-se de ambiente totalmente libertário e não deve ser usado por crianças e adolescentes, que ingenuamente são expostos a temas impróprios para sua maturidade, como erotismo, violência e bullying”, sustentou.

Entre muitas consequências negativas do acesso irrestrito de jovens à internet, Setzer citou o prejuízo para a leitura, a diminuição do rendimento escolar, a perda de criatividade, a redução da capacidade de concentração e a aceitação da violência. “Portanto, aconselho o desestímulo e o controle do uso da internet no ambiente familiar e na escola”, ressaltou o professor.

O debate entre os três especialistas foi mediado pelo diretor do Sinepe Rio, Frederico Venturini.

Acesse aqui a apresentação completa feita na palestra “Utilização da internet e seus desdobramentos”:

Confira as mensagens dos professores Tony dos Santos e Valdemar Setzer no 11º Congresso Rio de Educação:

 

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