Abordagem Pikler: um olhar sensível para a Primeira Infância  

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Por Juliane Oliveira

Um método que busca dar à criança o vínculo e, ao mesmo tempo, a independência de que ela necessita para se desenvolver. Esse é o objetivo da Abordagem Pikler, criada pela médica húngara Emmi Pikler, que vem atraindo o interesse de pais e educadores. O tema foi debatido pela psicóloga Rita de Moraes no 11º Congresso Rio de Educação.

“O que faz diferença para o desenvolvimento da criança não é quantos cursos você tem, mas sim o afeto e o vínculo que você tem com ela. Nosso trabalho como profissionais não é distrair as crianças ou trabalhar como se fossem uma linha de produção. Nossa função é ajudar cada criança a se construir, respeitando o tempo de cada uma”, destacou Rita.

O método, que é pensado para crianças até 3 anos, se baseia em três pilares: motricidade/atividade livre e espontânea – que proporciona um ambiente lúdico que evoque a curiosidade e dá o tempo necessário para que a criança explore seu corpo e o entorno –; formação continuada da equipe e cuidados corporais de qualidade. Este último pilar, segundo Rita, entende que momentos de cuidados individualizados, como troca de fraldas, banho e alimentação, são fundamentais e precisam de total atenção.

“O corpo e a relação adulto/criança são os fios condutores da saúde do bebê. Bebê que é trocado, higienizado e cuidado, mas não tem afeto adoece, morre psiquicamente ou pode até falecer. Bebê não é um legume para fazermos tudo correndo como se não tivesse importância nenhuma”, criticou a psicóloga.

Rita destacou que existem diferentes formas de violência: físicas; psíquicas; adiantar posturas, ou seja, fazer o que a criança ainda não amadureceu para fazer; e ainda fazer pela criança o que ela já sabe fazer. De acordo com ela, a remuneração ainda está longe de ser a ideal, mas quando uma pessoa opta por trabalhar com crianças está optando por ajudá-las a se desenvolver, então precisa se relacionar bem com elas.

A aplicação da Abordagem Pikler no cotidiano deve ser organizada com uma figura de referência. Se uma turma tem 20 alunos e cinco profissionais, por exemplo, não pode destinar que todos os educadores cuidem de todas as crianças. Nesse caso, o correto seria direcionar um profissional para cada quatro crianças. Nos momentos de cuidados individualizados o adulto deve estar inteiramente disponível para a criança que está cuidando.

“Se não tivermos boas condições de trabalho não teremos como desempenhar um bom trabalho. Ninguém consegue se relacionar bem, ao mesmo tempo, com 20 crianças. É uma hipocrisia. O ideal é dividir entre a equipe para que cada um conheça melhor aquele bebê. Essa abordagem muda a concepção de trabalho para despertar um olhar individualizado para cada criança em nossas instituições”, explicou.

Confira a mensagem da psicóloga Rita de Moraes no 11º Congresso Rio de Educação:

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