O desafio regulatório do Ensino Médio

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Por Nathalia Curvelo

Sancionada em fevereiro de 2017, a Lei nº 13.415 instituiu a reforma do Ensino Médio, trazendo mudanças para adequar a estrutura curricular à realidade dos alunos e das escolas de hoje. A reforma foi tema da palestra do sociólogo Simon Schwartzman, no segundo dia do 11º Congresso Rio de Educação.

De acordo com ele, um dos avanços proporcionados pela nova lei é a garantia, em seu texto, de uma maior autonomia para as escolas. Schwartzman ressalta que a reforma permite aos estabelecimentos de ensino criarem currículos mais flexíveis, uma vez que a carga horária de disciplinas obrigatórias passou a ser de 60%, e os demais 40% de optativas. “Isso dá à escola a liberdade de escolher o que e como ensinar”, afirmou.

Outra mudança positiva da reforma, segundo o sociólogo, foi a maior ênfase na educação profissional, como já acontece em alguns dos países mais avançados do mundo, como os Estados Unidos. “O Ensino Médio Técnico melhora o acesso imediato e aumenta a renda no mercado de trabalho. Faz a educação mais motivante para muitos alunos que têm preocupações mais práticas”, disse.

Schwartzman destacou que, na prática, contudo, a reforma ainda não se traduziu em uma educação mais democrática e inclusiva. Para ele, é preciso que o ensino seja diferenciado para as necessidades de cada grupo de estudantes.

“Infelizmente a nova lei não avançou como deveria no sentido de diferenciação efetiva da formação, como no resto do mundo. Além disso, a parte de disciplinas comuns a todos os alunos deve ocupar até 1.800 horas do curso, ou seja, 60% do tempo. Mas ao longo de 2017 acabou se tornando a maior parte. Isso contraria a ideia de que a ênfase deveria ser nos itinerários formativos, e não na parte geral”, pontuou.

Para o sociólogo, é possível que tenhamos, no médio prazo, que realizar uma “reforma da reforma”, para ajustar aspectos que precisam de avanços práticos. “É uma discussão complicada. Não se muda o Ensino Médio de um dia para o outro. É um caminho que temos que começar a trilhar. A discussão do que fazer com o Ensino Médio é internacional. O mundo inteiro está revendo: os Estados Unidos, a Europa. Então não tem resposta fácil”, concluiu.

Acesse aqui a apresentação da palestra “Base Nacional Comum e a reforma do Ensino Médio”.

Confira a mensagem do sociólogo Simon Schwartzman no 11º Congresso Rio de Educação:

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Professor na contemporaneidade

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Por Andréa Antunes

As diferenças entre as gerações que convivem na atualidade, os conflitos existentes no encontro dessas gerações e os diversos papéis que o professor de hoje precisa desempenhar no cotidiano de sua profissão para obter bons resultados foram apresentados pelo doutor em Educação e gestor em negócios, Renato Casagrande na palestra “Ser professor na contemporaneidade”. A apresentação foi dividida em três momentos, em que Renato Casagrande abordou com bom humor a diferença entre gerações, traçou o perfil do aluno do século XXI e fez considerações sobre o papel dos professores neste contexto.

“Essa é uma geração inconformada, aflita, entusiasta, competitiva. Tudo lhes interessa; porém, para a maioria, de maneira artificial. Os jovens não procuram aprofundar-se em algo”, ressaltou o especialista, lembrando que lidar com esses novos jovens – ativos, imprevisíveis, migratórios, barulhentos, conectados e públicos –, e com a revolução tecnológica é o desafio do professor. “E esse desafio exige mais do que mudança e novidade”, afirmou.

Ao tratar do professor, Renato Casagrande lembrou de aspectos psicológicos que envolvem o processo ensino-aprendizagem – Inteligência Cognitiva, Inteligência Emocional, Inteligência Volitiva – e enfatizou que hoje um dos papéis do docente é despertar no aluno a vontade de aprender. “A Inteligência Volitiva vem junto com a ideia de Inteligências Múltiplas de Gardner. Já que todos são inteligentes, o que diferencia uma pessoa da outra não é mais a inteligência, mas a vontade. Vence aquele que tem mais vontade, que transforma sonhos em ações e ações em resultados. E esse é o papel do professor: despertar no aluno a vontade de fazer o que deve ser feito”, afirmou.

Renato Casagrande criticou a formação docente que, na sua visão, não prepara o professor para dar aula. “A maior parte dos cursos de formação é abstrata. O professor sai da faculdade sem saber fazer com que o aluno aprenda”, lamentou. Ele citou ainda a desmotivação do professor e o fato de a categoria ter perdido o seu prestígio como aspectos que impactam no trabalho em sala, mas encerrou com uma mensagem otimista. “A educação de fato só vai acontecer pelas mãos do professor. Quanto mais informação, mas alienação. Precisamos de pessoas. O resgate do professor passa por aí. Em um mundo tão tecnológico, o papel do ser humano ganha mais importância e tenho certeza que é neste momento difícil que o professor vai resgatar o seu papel.”

Acesse aqui a apresentação completa da palestra “Ser professor na contemporaneidade”.

Confira a mensagem do gestor Renato Casagrande no 11º Congresso Rio de Educação:

Humanizar para aprender

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Por Luisa Gabriela Oliveira

Fazer de uma escola um ambiente humanizado é um dos grandes desafios na prática pedagógica. A busca pelo equilíbrio unindo a empatia na equipe da instituição se tornou uma das grandes ferramentas educacionais que alavancam escolas ao redor do mundo. “O papel da educação também é preparar os alunos para além de obter os resultados para a escola”, destacou o professor Amaro França em sua palestra “Gestão de pessoas em um ambiente escolar” no 11º Congresso Rio de Educação.

Autor do livro “Gestão Humanizada – Liderança e Resultados Organizacionais”, ele afirma a importância da curiosidade como fator primordial para o funcionamento da escola, sendo ela, inclusive, uma empresa viva, que precisa estar agregada às relações interpessoais. “A escola é uma empresa viva. E, como qualquer outra, possui um sistema complexo que precisa, sobretudo, de um espaço de ser e de conviver, que instigue o conhecimento através da curiosidade , um elemento fundamental para tudo o que acontece na escola”, disse.

Para a realização deste espaço de intensa troca do ser e do conviver, o autor propõe dois grandes pontos: as condições organizacionais e os valores e práticas afetivas, para que a inovação e a formação de pessoas emocionalmente sadias aconteçam. “É fundamental que a escola seja um espaço saudável”, ressalta.

Nas relações dentro da equipe, o especialista destaca principalmente a sinergia entre os participantes da instituição, fazendo com que eles tenham entre si o que chama de comunicação empática: “A empatia é o olhar sobre o outro e tem o papel fundamental para a construção de ser. Eu aceito, cuido e valorizo o outro”.

O modelo de liderança que é implementado por meio do incentivo dos membros da equipe também foi assunto da palestra ministrada por França, que enfatizou que reconhecer talentos no grupo é que faz diferença nos resultados da escola. “É a partir das pessoas que se gera os níveis de melhores resultados. É importante saber comunicar, incentivar boas ideias, reconhecer talentos, desenvolver habilidade múltiplas e encorajar as pessoas a se superarem”, explicou.

Acesse aqui a apresentação completa da palestra “Gestão de pessoas em um ambiente escolar”. 

Confira a mensagem do professor Amaro França durante o 11º Congresso Rio de Educação:

Rossandro Klinjey: “As famílias não podem transferir a missão de educar”

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Por Cláudio Ferme

O psicólogo e escritor Rossandro Klinjey enfatizou, na palestra “Tecnologia que desumaniza”, a característica perene dos valores humanos em confronto com as inovações tecnológicas e a responsabilidade da família e da escola na transmissão às novas gerações desses inestimáveis princípios éticos.

Segundo Klinjey, a tecnologia mal empregada pode ser prejudicial ao relacionamento familiar. “Cabe à sociedade rejeitar os relativismos morais e realizar as virtudes da educação, no sentido de atenuar os desvios de caminho que acometem os jovens”, aconselhou.

A dimensão líquida da realidade contemporânea conserva as diversas esferas do conhecimento em permanente crise, e a educação pode contribuir para resgatar a espontaneidade do humano. “A crise das epistemologias, das metodologias e da cultura gera impasses e mudanças de valores, não assimilados por muitos, especialmente numa sociedade dominada pela experiência do consumo”, explicou o psicólogo.

Com o agravamento da carência suscitada pela distância entre as pessoas, os educadores representam, na visão de Klinjey, uma “ponte de lucidez” para salvar o ser humano: “É necessário recompor a saúde mental dos indivíduos restabelecendo a ligação com as pessoas, pois a dignidade surge do coletivo”.

Quais valores estamos transmitindo às novas gerações? Essa é uma questão fundamental na opinião do psicólogo. “As famílias precisam encarnar sua tarefa de transmitir valores, não podem transferir a missão de educar. Mas a educação demanda a paciência da constante repetição, uma vez que o conhecimento exige esforço para ser adquirido – a mente não valoriza o que se conquista sem esforço”, destacou.

Para o escritor, trata-se, sobretudo, de investir em tempo para realizar as virtudes do conhecimento. “O papel dos professores é a permanente compreensão do que torna sua atividade imprescindível numa realidade marcada pela intolerância e pela influência não espontânea da tecnologia”, ponderou.

Confira a mensagem do psicólogo Rossandro Klinjey no 11º Congresso Rio de Educação:

 

 

 

 

 

“A internet pode ser veneno ou remédio”, diz especialista em tecnologia

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Por Cláudio Ferme

Os professores Evelyn Eisenstein, Tony dos Santos e Valdemar Setzer apresentaram na palestra “Utilização da internet e seus desdobramentos”, no 11º Congresso Rio de Educação, opiniões sobre os efeitos em crianças e adolescentes do cada vez mais disseminado uso da rede mundial.

No debate, os palestrantes advertiram pais e educadores acerca da crescente dependência psíquica e física de seus filhos e alunos aos dispositivos tecnológicos, recomendando uma atitude mais rigorosa na proteção social da criança e do adolescente em fase de desenvolvimento.

A intervenção da professora Evelyn Eisenstein, especialista em pediatria infantil e adolescente, demonstrou os riscos de distúrbios, disfunções e transtornos causados pelo acesso descontrolado da internet. “Crianças muito expostas às diversas telas (vídeo games, smartphones, monitores, etc) sofrem problemas neurológicos e motores, como hiperatividade, desatenção, transtorno do sono, de pendência e coordenação falha”, alertou.

Segundo a pediatra, jogos e brincadeiras que repetem ações violentas multiplicam o comportamento violento e a ansiedade de querer sempre mais. “Cabe aos pais conhecer e controlar o que seus filhos acessam na internet, e à escola compete construir a cultura da paz por meio da reação à violência”, aconselhou.

“A internet pode ser veneno ou remédio: a diferença é a dose”. Dessa forma Tony dos Santos, diretor da Nuvem Mestra, empresa parceira do Google Suite For Education no Brasil,  definiu o permanente dilema dos educadores entre atualização e conservação pedagógica diante das inovações proporcionadas pela tecnologia. “Vivemos a era do ‘capitalismo informacional’, em que 97% da informação do planeta estão digitalizados e 73% das relações sociais acontecem pela internet”, argumentou.

As diferenças de linguagens entre usuários da cultura digital (alunos) e da cultura analógica (escolas) despertam a rejeição às metodologias tradicionais. “Na Europa e nos EUA, 39% dos alunos não concluem o ensino médio, e muitos jovens alegam que as escolas não se ajustam às suas realidades”, explicou Tony dos Santos. Em contraponto, o educador apresentou vários exemplos de iniciativas pedagógicas ao redor do mundo com tecnologias associadas à melhoria das condições de aprendizagem.

A voz mais contundente sobre os danos da internet para os jovens foi a do professor Valdemar Setzer, do departamento de Ciência da Computação da USP. “A internet apresenta altíssimo risco de produzir dependência (vícios); trata-se de ambiente totalmente libertário e não deve ser usado por crianças e adolescentes, que ingenuamente são expostos a temas impróprios para sua maturidade, como erotismo, violência e bullying”, sustentou.

Entre muitas consequências negativas do acesso irrestrito de jovens à internet, Setzer citou o prejuízo para a leitura, a diminuição do rendimento escolar, a perda de criatividade, a redução da capacidade de concentração e a aceitação da violência. “Portanto, aconselho o desestímulo e o controle do uso da internet no ambiente familiar e na escola”, ressaltou o professor.

O debate entre os três especialistas foi mediado pelo diretor do Sinepe Rio, Frederico Venturini.

Acesse aqui a apresentação completa feita na palestra “Utilização da internet e seus desdobramentos”:

Confira as mensagens dos professores Tony dos Santos e Valdemar Setzer no 11º Congresso Rio de Educação:

 

Sinepe Rio premia vencedores do Concurso de Redação 2017  

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Por Juliane Oliveira

Para entender o que pensam os alunos sobre o mundo digital e os impactos dessa cultura de interação nas relações, o Sinepe Rio promoveu o Concurso de Redação 2017 com o tema “Mundo Digital e Reinvenção do Humano”. Com mais de 700 redações e 105 escolas participantes, o concurso estimulou a prática da redação e a reflexão crítica dos estudantes.

“Esse prêmio foi criado em 2006 como uma forma de aproximar o Sindicato do que a escola tem de mais importante: os alunos. Ter uma redação premiada e publicada em um livro é um reconhecimento que fica para sempre na vida do estudante e da sua família”, destacou o professor Henrique Zaremba, idealizador e coordenador do projeto.

As redações foram selecionadas por uma banca de professores com grande experiência em Literatura e Redação. Participaram do concurso alunos do oitavo e nono anos do Ensino Fundamental e das três séries do Ensino Médio das escolas associadas ao Sinepe Rio. Foram premiados três alunos por série: o primeiro colocado de cada série recebeu um notebook, o segundo um tablet e o terceiro, um smartphone. As quinze redações premiadas e outras 35 selecionadas farão parte de um livro a ser editado pelo Sindicato. O lançamento está previsto para o final do ano.

Confira a lista completa dos premiados:

– Oitavo ano

  • Primeiro lugar: Manuela dos Santos Titara, do Colégio Instituto Relvas.
  • Segundo lugar: Joana Angélica Vianna do Amaral Bermond Natal, do Colégio Santo Inácio.
  • Terceiro lugar: Gabriel Rodrigues Nascimento Lima, do Colégio Santo Agostinho Novo Leblon.

– Nono ano

  • Primeiro lugar: Marcelle de Souza Soares, do Colégio Teresiano.
  • Segundo lugar: Maria Eduarda Martins Magaldi Gonzalez, do Colégio Centro Educacional Rosa Chamma.
  • Terceiro lugar: Carolina Souza Machado, do Colégio Andrews.

– 1ª série do Ensino Médio:

  • Primeiro lugar: Pedro Jatene Queiroz de Figueiredo, do Colégio Santo Inácio.
  • Segundo lugar: Eric Dias Macedo, da Escola Parque.
  • Terceiro lugar: Rafael Medeiros Dias Rabello, Centro Educacional Rosa Chamma.

– 2ª série do Ensino Médio:

  • Primeiro lugar – Allana Van-Geem Adeodato Rocha, do Colégio Cruzeiro – Centro.
  • Segundo lugar – Antonia Oliveira Violeta Duarte, do Colégio Andrews.
  • Terceiro lugar – Matheus Antonio de Sousa, do Colégio de São Bento.

– 3ª série do Ensino Médio:

  • Primeiro Lugar: Claudio Antonio Pires Brandão Neto, Colégio Santo Agostinho – Novo Leblon.
  • Segundo lugar: Guilherme Brandão Silva, do Colégio São Bento.
  • Terceiro lugar: Julia Machado Iglesias, do Colégio Santo Agostinho – Novo Leblon.


Confira os depoimentos das alunas Joana Angélica Vianna e Manuela Titara sobre a participação no Concurso:

O futuro chegou para a educação

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Por Juliane Oliveira

Uma viagem ao passado, pela história da humanidade, para compreender o que acontecerá num futuro, não tão distante, com a revolução tecnológica. Esse foi o clima encontrado pelos educadores na primeira palestra do 11º Congresso Rio de Educação. “Vez por outra acontecem mudanças bruscas na História. Nós fomos sorteados para presenciar esse momento”, destacou o jornalista e escritor, Pedro Doria.

Ele explicou como as revoluções existentes até hoje mudaram radicalmente a estrutura de tudo, impactando a economia, a política, as profissões e a forma de a sociedade se comportar: “Duzentos anos depois da nossa última revolução, a industrial, estamos passando pela revolução digital, que mudará tudo como conhecemos. E com a educação não será diferente”.

A lógica do mundo atual, ainda regido pela revolução industrial, impacta diretamente na forma de ensinar, refletindo nas salas de aula. “O que é a escola senão um prédio especializado, em que os alunos têm uma hora para chegar e outra para ir embora, e tudo acontece rigorosamente numa ordem estabelecida, assim como na indústria?”, indagou o palestrante.

Agora, o que passa a reger todas as áreas da nossa vida segue a mesma lógica presente num smartphone, que é o aprendizado da máquina (do inglês machine learning), visível em diversos outros softwares, que impactam também a educação. Doria citou exemplos como o Aleks, um software em que o aluno faz exercícios de uma determinada matéria, e a partir do próprio resultado a máquina entende quais conceitos o aluno dominou e quais ele precisa concentrar sua atenção, possibilitando um ensino diferenciado.

“Esse é um exemplo que se adapta para compreender como é o aprendizado. O professor continua sendo fundamental na sala de aula, mas a estrutura será outra. Nessa perspectiva ele não dará mais dever de casa para todas as crianças do mesmo assunto ao mesmo tempo. Cada criança terá sua tarefa específica e o professor auxiliará nesse processo”, ressaltou o jornalista.

Confira a mensagem do jornalista Pedro Doria no 11º Congresso Rio de Educação:

Sinepe homenageia presidente do Grupo Folha Dirigida

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Por Juliane Oliveira

Para homenagear o trabalho desempenhado na área educacional pelo diretor-presidente do Grupo Folha Dirigida, Adolfo Martins, o Sinepe Rio o condecorou com a Medalha Edília Coelho Garcia. “Embora não tenha formação na área de pedagogia ou nenhuma outra ligada à educação, o nosso homenageado é um educador por vocação”, destacou o presidente do Sinepe Rio, Victor Notrica, ao entregar a Medalha. Vanessa Garcia, filha da professora Edília, também participou da cerimônia, que aconteceu durante o 11º Congresso Rio de Educação.

Notrica lembrou da trajetória do jornalista, a quem conhece há mais de 50 anos: “Para mim é um prazer imenso entregar esta medalha, porque o conheço de longa data. O conheci ainda bem jovem, em 1963, no jornal Diário de Notícias, onde desempenhava as funções de repórter, redator, editorialista, chefe de reportagem e editor de Educação”.

Nascido em Araxá, Minas Gerais, Adolfo Martins vislumbrou, no Rio de Janeiro, a oportunidade de ser reconhecido como um dos mais brilhantes jornalistas especializados na área educacional do país. Em 1985, fundou o jornal Folha Dirigida, voltado para as áreas de Educação, Concursos e Mercado de Trabalho, que em poucos anos, transformou-se no maior jornal alternativo do país, com um forte enfoque para ações culturais e de cidadania.

“Filho de um pai analfabeto, pude entrar pelo elevador social para usufruir do banquete da Educação. Entendi que esta homenagem tem três vertentes justificáveis. Primeiro é a amizade, o afeto; segundo, uma virtude de qualquer bom educador: a generosidade; e terceiro talvez seja a longevidade da minha atuação profissional”, disse Adolfo.

Edília Coelho Garcia presidiu o Sinepe Rio, de 1970 a 1973. Foi subsecretária de Educação do Estado do Rio de Janeiro e presidente do Conselho Estadual de Educação. Também presidiu a Associação Brasileira de Educação, integrou o Conselho Nacional de Educação, além de outras entidades educacionais da área pública e privada. A primeira educadora a receber a Medalha Edília Coelho Garcia foi a professora Teresinha Saraiva, em 2013.

Vai começar o 11º Congresso Rio de Educação!

E dois anos depois aqui estamos. Daqui a poucas horas começa o 11º Congresso Rio de Educação! Vamos discutir temas fundamentais para o ambiente escolar, como tecnologia e mundo digital, inovação, gestão, marketing educacional e neurociência. Aproveite todo o conteúdo, troque  experiências e use este tempo para descobrir novas formas de fazer ainda melhor aquilo que é a sua paixão: ensinar. Já baixou o seu aplicativo do Congresso? Ele traz informações fundamentais sobre o evento, como a programação, a rota de como chegar até o Hotel Windsor Barra e a agenda de palestras para as quais você está inscrito, servindo de referência e orientação. Também oferece notificações e avisos, acesso ao material das palestras e uma credencial virtual personalizada. Basta fazer o download pelo Google Play ou pela Apple Store. Vamos juntos construir os novos rumos da educação?

 

Competências para ensinar e para organizar o ensino

Por Juliane Oliveira

“A tarefa do professor não é dar aula. A tarefa do professor é construir identidades humanas, gerir sonhos, fundar mundos. Nunca uma geração precisou tanto de professores como essa que necessita formar valores”. A mensagem de reflexão, que impulsiona os profissionais da educação a pensar a organização do ensino numa perspectiva desafiadora é de Emília Cipriano, doutora em Educação e professora da PUC/SP, no 10º Congresso Rio de Educação 2015, no dia 8 de agosto.

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Emília Cipriano ressaltou a importância do papel do professor na educação – Foto: Bruno Fabregas

Na palestra “Reflexões sobre as competências para o ensinar e para a organização do ensino”, a professora falou sobre a importância do respeito à singularidade do aluno. “Precisamos tratar questões específicas em âmbitos específicos. Precisamos ser um ‘ponto de luz’ na vida dos alunos. Assim, fazemos nascer, muitas vezes, um ser que nem ele próprio sabia que existia”, afirmou.

A professora destacou a importância de valorizar o professor da Educação Infantil, que se eterniza na memória das pessoas e cuida da infância, o menor período da vida, mas o que mais forma valores e princípios. “Quem não sabe habitar a Educação Infantil não pode ser professor. A educação só vai mudar quando as universidades, os doutores e pós-doutores souberem valorizar esses professores”.

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Mensagem de reflexão motivou os profissionais da educação a pensar a organização do ensino numa perspectiva desafiadora – Foto: Bruno Fabregas

Outro ponto abordado por Emília foi a necessidade de romper com tudo que é padronização e que o currículo deve abranger a ideia de interdisciplinaridade que o cérebro tem. Ela lembrou que na sala de aula não é só o conteúdo que motiva o aluno. As formas usadas para isso também são fundamentais, já que o ensino deve fornecer situações que possibilitem a formação de novas categorias de pensamento e conceitos, a partir de experiências e informações levadas pelo professor.

Para Emília, trabalhar com princípios consistentes em sala de aula promove unidade. Ela destacou seis princípios que considera fundamentais: diálogo, inclusão, humanização, participação, solidariedade e democracia. “A tarefa do professor é levar outra leitura de mundo. Cabe ao educador construir no educando uma relação de curiosidade, de indagação do saber e de consolidação das formas de aprendizagem. O educador encantado encanta. Ele tem um papel de referência”, ressaltou.

Confira abaixo o vídeo que fizemos com Emília Cipriano no 10º Congresso Rio de Educação, com exclusividade para você: