A primeira infância como papel fundamental na inclusão social e familiar

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Por Luisa Gabriela Oliveira

O processo de inclusão ao longo da vida, bem como a inclusão de alunos nas escolas, é assunto que permeia as discussões pedagógicas ao longo dos anos. Ministrando a palestra “Considerações fundamentais sobre o processo de inclusão”, no 11º Congresso Rio de Educação, a psicanalista e psicóloga Cristina Hoyer fala sobre como a inclusão é um longo processo e a importância do mediador nesta trajetória.

“A inclusão não é um dado prévio da condição humana, é uma odisseia subjetiva particular entre os agentes primordiais (mãe/pai) e o sujeito-criança nos tempos da primeira infância”, disse.

A trajetória dos parentes, desde o desejo de se ter filhos até o crescimento de cada um deles, é um dos fatores determinantes na inclusão de cada ser naquele meio social e no campo familiar que, de acordo com a especialista, é a área da “cultura transgeracional, onde a cada geração vai transmitindo o simbólico. São as lendas e histórias, algo que aponta para a origem”.

Em seu pensamento, a psicanalista defende que a primeira infância é o momento fundamental na inclusão do ser neste meio: “É todo o alicerce de tudo o que vai se constituir o humano, é a época fundamental”, afirma.

Em relação aos filhos, a concepção deste novo ser no núcleo familiar é proveniente de um desejo particular dos agentes primários (pai e mãe) que idealizam a vontade de ter um filho e, consequentemente, colocam nele as expectativas de seu futuro. Por isso, mesmo que a família seja formada por mais de um filho, cada um é singular dentro da família.

“É comum encontrarmos irmãos perguntando a mãe de quem ela mais gosta. O fato é que todo filho é único e toda mãe é única para aquele filho. Cada um é um projeto particular daquela relação. Mesmo que se tenha dois, três, quatro filhos, cada um é único. Cada um deles é um projeto subjetivo e representam o desejo diferente de se ter uma criança”, destaca.

A especialista também ressalta a importância ainda na fase bebê do indivíduo que, mesmo sem ter consciência dos seus atos, se faz presente dentro do contexto familiar para ser incluído naquele meio, seja por um gesto ou resposta: “O processo de inclusão se dá fundamentalmente na primeira infância, principalmente pelas ações que os bebês reproduzem: atender pelo nome; o sorriso intencional; distancia-se da mãe sem perdê-la de vista; reage a rostos estranhos; estende os braços… O bebê passa a fazer parte daquele campo, nasce imerso, mas não é suficiente, já que o filho terá de fazer seu próprio movimento para ser incluído”, explica.

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